"Em 1956, Conn tornou-se o primeiro médico a caracterizar adequadamente o hiperaldosteronismo primário (HP).
A “síndrome de Conn”, contudo, refere-se principalmente ao hiperaldosteronismo secundário a um aldosteronoma adrenal".
Atualmente, acredita-se que o HP seja responsável por cerca de 5-15% dos casos de hipertensão arterial sistêmica (HAS) secundária. Apesar de desafiador, o diagnóstico de HP é crítico, uma vez que nestes casos a hipertensão arterial pode ser curada cirurgicamente”.
Anteriormente, acreditava-se o adenoma produtor de aldosterona (APA) era a forma mais comum de HP.
Hoje, sabe-se que a Hiperplasia Adrenal Idiopática (HAI) bilateral responde por 45% dos casos de HP. O APA e a HAI são as duas principais causas de HP e sua diferenciação é vital, uma vez que cada uma possui sua própria abordagem terapêutica de escolha (a saber: cirurgia nos pacientes com APA e tratamento clínico na HAI).
Tabela 01 - Causas de HP
• Adenomas produtores de aldosterona (APA)
• Hiperplasia adrenal idiopática bilateral (HAI) • Adenomas produtores de aldosterona sensível à renina (APASR) • Hiperplasia adrenal primária (HAP) • HP familial (HPF): - HPF Tipo 1 (HPF-1) ou Aldosteronismo glicocorticóide-remediável (AGR) - HPF Tipo 2 (HPF-2 ou HPF não-sensível aos glicocorticóides)
A principal anormalidade fisiológica relacionada à HP é a produção autônoma de aldosterona. Dependendo do subtipo de HP, o controle da produção de aldosterona pode estar alterado de várias formas. Em geral, o APA e a HAP respondem ao ACTH, enquanto que a HAI e a APASR não respondem ao sistema renina-angiotensina (SRA).
No AGR (HPF-1), o SRA encontra-se inibido e a aldosterona é regulada pelo ACTH através de combinações quiméricas com regiões do gene aldosterona-sintetase (o que não acontece em situações normais). Dessa forma, os níveis de ACTH superestimulam a síntese de aldosterona. Nos pacientes com AGR, a administração de dexametasona (ou qualquer outro glicocorticóide) em doses capazes de suprimir a produção de ACTH resulta em redução da síntese de aldosterona, da natriurese e correção das anormalidades bioquímicas da HP.
Parece haver uma maior prevalência de HAI entre homens (proporção 4:1), negros e após a sexta década de vida. APA são mais comuns em mulheres (proporção de 2:1), entre 30-50 anos de idade.
- Pacientes com hipocalemia espontânea ou não-provocada, especialmente entre hipertensos.
- Pacientes que desenvolvem hipocalemia severa e/ou persistente na presença de doses baixas ou moderadas de diuréticos não-poupadores de potássio.
- Pacientes com HAS refratária.
Além da hipertensão arterial, pode-se encontrar adinamia, distensão abdominal, íleo paralítico (decorrente de hipocalemia) e manifestações relacionadas às complicações da hipertensão (p.ex.: insuficiência cardíaca, seqüelas de AVC, sopros carotídeos, proteinúria, insuficiência renal, encefalopatia hipertensiva e retinopatia). Entretanto, pacientes com HP não costumam apresentar manifestações específicas ao exame físico, daí a importância de se manter um alto índice de suspeição.
Tabela 02 - Diagnósticos Diferenciais do HP
• Adenoma Adrenal • Carcinoma Adrenal • Síndrome de Bartter • Deficiência de C-11 Hidroxilase • Deficiência de C-17 Hidroxilase • Síndrome de Gitelman • Síndrome de Liddle • Síndrome de Cushing • Síndrome de Chretien • Síndrome de Gordon • Eclâmpsia e Pré-Eclâmpsia • Encefalopatia Hipertensiva • Hipertensão • Hipocalemia • Acidose Metabólica • Estenose da artéria renal • Hipertensão renovascular • Resistência aos Glicocorticóides • Antecedente de ingestão de mineralocorticóides exógenos
Diagnóstico
O diagnóstico envolve 3 etapas: triagem, confirmação e determinação do subtipo de HP. Os principais testes diagnósticos são descritos a seguir:
A. Presença de Alcalose Metabólica (bicarbonato sérico >31 mEq/L) e Hipocalemia (potássio <>
a.1. Dado inespecífico: até 40% dos pacientes com HP são normocalêmicos.
a.2. A Hipocalemia isoladamente possui sensibilidade de 75-80% para HP em pacientes com dietas normossódicas.
B. Razão da concentração plasmática de aldosterona (CPA) sobre a atividade da renina plasmática (ARP) :
b.1. Pode (e é) ser utilizada como teste de triagem.
b.2. Valores normais são inferiores a 270 (quando a concentração de aldosterona é expressa em pmol/L) ou menores que 10 (quando a concentração de aldosterona é expressa em ng/dL).
b.3. Quando a aldosterona é medida em ng/dL e a ARP em ng/mL/h, valores acima de 20-25 apresentam uma sensibilidade de 95% e especificidade de 75% para HP. Quando a aldosterona é medida em pmol/L, uma razão maior que 900 é considerada compatível com HP.
b.4. Uma grande limitação deste teste está na variabilidade inerente da secreção de aldosterona devido a um ritmo circadiano intrínseco e ao uso de medicamentos anti-hipertensivos (que muitas vezes não podem ser suspensos apenas para realização de um exame diagnóstico).
b.5. O uso de inibidores da ECA aumenta a especificidade do exame, mas reduz sua sensibilidade.
C. Teste de Supressão do Captopril
c.1. Consiste na administração de uma dose de 25-50 mg de captopril por via oral. Em indivíduos normais, os níveis de aldosterona caem abaixo de 15 ng/dL.
c.2. Sensibilidade de 90-100% mas especificidade de apenas 50-80%.
D. Dosagem da Concentração Plasmática de Aldosterona
d.1. Após 03 dias de dieta sem restrição de sódio e 1 hora de repouso, indivíduos sadios apresentam níveis de aldosterona abaixo de 15 ng/dL. A presença de níveis acima de 22 ng/dL virtualmente confirma o diagnóstico de HP.
d.2. Uma vez que a secreção de aldosterona é variável, o valor preditivo positivo e negativo de uma única dosagem aleatória de aldosterona é limitado.
d.3. Até 40% dos pacientes com HP apresentam níveis normais de aldosterona e não podem ser diferenciados daqueles com HAS essencial através deste teste.
E. Excreção Urinária da Aldosterona em 24 horas (Aldo-U)
e.1. Uma das ferramentas diagnósticas mais úteis.
e.2. Encontra-se acima de 14 mg/dL na HP.
e.3. Menos de 7% dos pacientes com HP apresentam valores abaixo de 14 mg/dL.
F. Teste de sobrecarga salina
f.1. Consiste na ingestão diária de 10-12g de cloreto de sódio por 5 dias antes do teste e então dosa-se a CPA. Em indivíduos saudáveis, a CPA encontra-se em níveis abaixo de 8,5 ng/dL.
f.2. Este teste raramente é utilizado nos dias de hoje.
G. Tomografia Computadorizada das Adrenais com contraste
g.1. Só detecta aldosteronomas com diâmetro superior a 1,5 cm.
g.2. Pode ser complicado com a detecção de incentalomas (encontrados em até 10% da população).
g.3. A alta resolução do exame pode se tornar um problema, uma vez que a hiperplasia adrenal costuma associar-se à formação de nódulos, provocando confusão com adenomas autônomos.
H. Análise Venosa Adrenal
h.1. Dependente de radiologistas intervencionistas
h.2. Acurácia maior que 95%
h.3. Avalia a razão das concentrações de aldosterona entre as veias adrenais esquerda e direita. Uma razão maior que 10:1 indica secreção autônoma unilateral de aldosterona
h.4. Estenose da artéria renal pode produzir resultados falso-positivos
h.5. Complicações potenciais: trombose venosa ilíaca e adrenal, hemorragia adrenal, insuficiência adrenal
h.6. Este é um exame ideal nos casos com suspeita de HP onde as análises bioquímicas e os exames de imagem foram inconclusivos
I. Ressonância Nuclear Magnética
i.1. Não é superior à TC com contraste
i.2. Paciente com TC e/ou RNM normais: pode-se realizar tratamento com antagonistas da aldosterona por 6-12 meses e então repetir os exames de imagem
J. Cintilografia com iodocolesterol NP-59
j.1. Diferencia a hiperplasia dos adenomas
j.2. Acurácia de 90%
j.3. Desvantagem: disponível apenas em alguns poucos centros de referência de medicina nuclear
j.4. Principal alternativa ao teste de amostragem venosa adrenal
K. Teste de supressão de Dexametasona
k.1. Relevante apenas nos casos de possível HPF
k.2. Padrão em pacientes com AGR (HPF-1): pequenas doses de dexametasona (1-2 mg/ dia) normalizam os níveis de aldosterona plasmática e urinária e corrigem a HAS
k.3. Desvantagem: pacientes com HPF-2 não apresentam resposta positiva no teste
L. Teste da metoclopramida
l.1. Promissor na diferenciação entre aldosteronomas e HAI
l.2. Após uma injeção endovenosa de 10 mg de metoclopramida, os níveis séricos de aldosterona aumentam significativamente em pacientes com aldosteronoma, mas permanecem inalterados ou diminuem em pacientes com HAI.
M. Teste terapêutico com Espironolactona
m.1. Administram-se 100 mg de espironolactona via oral de 6/6h por 5 semanas. O teste é considerado positivo quando se observa uma redução de pelo menos 20 mmHg na pressão arterial diastólica
m.2. Por ser muito demorado e de aplicação difícil, não é mais utilizado como teste diagnóstico para HP
N. Teste de estimulação com ACTH
n.1. Consiste na injeção endovenosa de 250 mcg de ACTH
n.2. Nos pacientes com adenomas, ocorre um aumento abrupto dos níveis de aldosterona
n.3. Este teste não é mais utilizado devido à sua baixa acurácia
O. Flebografia adrenal
o.1. Caiu em desuso devido ao risco de infarto adrenal
Tratamento
Conforme mencionado, o tratamento de escolha difere nas duas principais causas de HP. Na HAI, a abordagem é essencialmente clínica, enquanto que no APA a cirurgia é a escolha na maioria dos casos.
No tratamento clínico da HP, os antagonistas mineralocorticóides (p.ex.: espironolactona, 25 a 200 mg VO por dia) são as drogas de escolha, oferecendo controle pressórico razoável associado ao efeito de antagonismo da aldosterona, com boa redução do edema e da ascite. Não devem ser utilizados em gestantes, na presença de insuficiência renal aguda ou em pacientes apresentando hipercalemia. Deve-se estar atento para as interações medicamentosas (p.ex.: a associação com inibidores da ECA ou AINEs pode causar hipercalemia) e manifestações estrogênicas em homens (p.ex.: ginecomastia, impotência). A combinação de espironolactona e diuréticos tiazídicos oferece um melhor controle dos níveis pressóricos que a espironolactona isoladamente.
Outros diuréticos poupadores de potássio (p.ex.: amilorida e triantereno) não são boas opções, pois não se ligam aos receptores mineralocorticóides. Por isso, são utilizados como medicações de segunda linha e precisam ser associados a outros anti-hipertensivos para produzir um controle adequado da pressão arterial. Bloqueadores de canais de cálcio (p.ex.: nifedipina) são úteis no controle da HAS, mas não corrigem o mecanismo fisiopatológico da doença.
No subgrupo de pacientes com AGR (HPF-1), deve-se utilizar a menor dose possível de glicocorticóides para manter o paciente normotenso. Deve-se preferir glicocorticóides de ação rápida, tais como prednisona e hidrocortisona (ao invés da dexametasona).
O tratamento clínico também pode ser indicado nos pacientes com doença unilateral (quando comorbidades não permitem o tratamento cirúrgico) ou nos casos bilaterais (para evitar a adrenalectomia bilateral). No pré-operatório, recomenda-se administrar espironolactona por 3 a 5 semanas - além de servir como uma ferramenta diagnóstica adicional, este tratamento é útil para reduzir os níveis pressóricos e as síndromes metabólicas associadas e para prever a resposta tensional pós-operatória.
A abordagem videolaparoscópica vem se tornando padrão. Cerca de 70% dos pacientes tratados cirurgicamente se encontram normotensos 1 ano após a cirurgia (53% permanecem sem HAS após 5 anos). A persistência da HAS após o tratamento cirúrgico é mais comum em pacientes com mais de 45 anos de idade, naqueles que eram hipertensos há mais de 5 anos e nos casos em que não se observou resposta pré-operatória durante o uso de espironolactona. Deve-se considerar ainda a possibilidade de ressecção incompleta do adenoma
Pacientes com HAS e hipocalemia e a maioria dos pacientes com HAS refratária ao tratamento devem ser examinados quanto à possibilidade de HP. A apresentação clínica da HP não é específica e o diagnóstico correto requer um alto índice de suspeita por parte do médico assistente.
A concentração plasmática de aldosterona (CPA) e a razão entre a CPA e a atividade da renina plasmática (ARP) são testes úteis para screening, mas não selam o diagnóstico. O diagnóstico deve ser determinado através da Aldo-U (medição da aldosterona urinária de 24h). A TC com contraste, apesar de útil, não detecta cerca de 50% dos adenomas e pode, em alguns casos, “lateralizar” incorretamente a doença. A Análise Venosa Adrenal é considerada o padrão ouro para determinar a lateralidade da doença. A Espironolactona é o fármaco de escolha nos casos com indicação de tratamento clínico.
Os primeiros humanos no Haiti, também conhecido como La Española' ou Hispaniola, chegaram à ilha há mais de 1000anosaC, possivelmente 7000 aC. Em 5 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo ao viajar para o ocidente atingiu uma grande ilha. Mais tarde passou a ser chama de São Domingos;
dividida entre dois países - a República Dominicana e o Haiti - , é a segunda maior das Grandes Antilhas, com a superfície de 76.192 km² e cerca de 9 milhões de habitantes. Com 640 km de extensão entre seus pontos extremos, a ilha tem formato semelhante à cabeça de um caimão (pequeno crocodilo abundante na região), cuja "boca" aberta parece pronta a devorar a pequena ilha de Gonâve. O litoral norte abre-se para o oceano Atlântico, e o sul para o mar do Caribe (ou das Antilhas).
Conquista espanhola
Depois da chegada de Colombo, os espanhóis estabeleceram fortes no litoral da ilha; depois da segunda viagem de Colombo à ilha, a colonização foi estendida para toda a ilha, ocorrendo a escravização de indígenas para a agricultura e cerâmica. A partir de 1520 a colonização espanhola no Haiti teve sua decadência. Depois da decadência espanhola, a partir de 1625, a ilha teve grande influência francesa. Em 1697 a Espanha e a França assinaram o Tratado de Ryswick, que determina a passagem do controle da ilha para a França. Por essa época praticamente toda a população nativa havia sido dizimada pela força e pelas doenças.
Colonização francesa
Abrigados na estratégica ilha de Tortuga, os piratas franceses passaram a ocupar partes da ilha. As tropas enviadas para combatê-los acabaram por se estabelecer na sua porção ocidental. Os conflitos com os espanhóis duraram pelo menos até 1776, quando o terço ocidental da ilha passou definitivamente ao domínio francês. Durante todo o século XVIII os franceses incrementaram a formação da lavoura açucareira na região, importando escravos africanos em grande quantidade.
Ao começar a Revolução Francesa, viviam na colônia cerca de 500 mil negros, 24 mil mestiços e 32 mil brancos. O Haiti, proporcionalmente a seu território e sua rentabilidade, podia ser considerado como uma das mais ricas colônias da América, a "pérola das Antilhas".
Independência
O Haiti foi o primeiro país latino-americano a declarar-se independente. Os movimentos insurrecionais da população escrava, numericamente com uma superioridade esmagadora, começaram a se tornar frequentes. Em 1754 havia 465 mil escravos, e a classe dominante era composta por apenas 5 mil brancos, sendo o restante de negros e mulatos livres e brancos pobres. Nesse ano desencadeou-se a revolta do escravo Mackandal, que utilizou os ritos do vodu para aterrorizar os senhores e unir os escravos contra eles. Após quatro anos de guerrilhas, Mackandal foi preso e condenado à fogueira como feiticeiro, mas diz-se que fugiu pouco antes da execução. Em consequencia, os franceses passaram a reprimir o vodu.
A Revolução Francesa, com seus ideais de liberdade, foi o estopim para outra revolta, liderada pelo mulato Vicente Ogé, que acabou preso e supliciado na roda. Mas a rebelião se espalha e os escravos passam a fugir em massa e massacrar seus senhores, estimulados pela própria dissenção entre os brancos sobre o apoio aos revolucionários na França ou a independência da colônia. Financiados pelos ingleses e espanhóis, inimigos dos franceses, negros e mulatos se unem sob a liderança de Toussaint l'Ouverture, um escravo negro que aprendera a ler e adquirira certa cultura intelectual. Em 1794, a França declara a abolição da escravidão nas colônias, conseguindo que Toussaint passasse a apoiar as autoridades francesas. Pouco a pouco seu prestígio foi crescendo entre brancos e negros. Em 1801, após derrotar os ingleses e espanhóis, Toussaint preparou a independência do Haiti como um estado associado à França revolucionária. Em seguida, cuidou da volta dos ex-escravos à lavoura do país quase devastado e preparou um projeto de constituição. Entretanto, o novo governo revolucionário francês, sob o comando do cônsul Napoleão Bonaparte, rejeitou a proposta de Toussaint e mandou o general Leclerc para recuperar a rica colônia. Valendo-se da traição, Leclerc enviou Toussaint para a França, onde morreu prisioneiro. Porém, um dos generais de Toussaint, o ex-escravo e analfabeto Jean-Jacques Dessalines continuou a rebelião e expulsou as tropas francesas, proclamando a independência em 1 de janeiro de 1804. Nomeado governador da ilha, Dessalines se proclama imperador, como Napoleão e unifica a ilha. Dois anos depois, é deposto e morto e o país tem o controle dividido entre Henri Christophe, que funda um reino ao norte, e Alexandre Pétion, liderando uma república ao sul, e voltando o leste aos espanhóis. A unificação do país só acontece em 1820 sob o governo de Jean-Pierre Boyer, que governou como ditador até 1843.
Intervenção americana
Entre a deposição de Boyer e a intervenção dos Estados Unidos, o Haiti conheceu vinte e um governantes que tiveram final trágico. Digno de nota foi Faustin Soulouque, que, nomeado presidente em 1847, conquistou a República Dominicana em 1849 e foi proclamado imperador, promovendo um renascimento das práticas vodus e apoiando-se nos negros. A luta pela independência dos dominicanos levou à derrocada de seu governo, tendo sido deposto em 1858 e exilado. Dos demais governantes, um presidente foi envenenado, outro morreu na explosão de seu palácio, outros foram condenados à morte e um deles, Vilbrum Sam, foi linchado pelo povo. A economia caótica e a instabilidade institucional levaram os EUA a intervir no país a fim de cobrar a dívida externa. Em 1905, passaram a controlar as alfândegas e, em 1915, invadiram militarmente a ilha e assumiram o governo. A intervenção reorganizou as finanças e impulsionou o desenvolvimento da nação. Os americanos impuseram uma nova constituição e se comprometeram a respeitar a soberania do país. Seguiram-se sucessivos governos da elite mulata. A presença das tropas americanas impediam a anarquia e a guerra civil, porém não puderam conter a fragilidade dos governos nem a constante oposição dos nacionalistas, que não desejavam a continuidade das tropas estrangeiras. Em 1934, os EUA retiraram suas tropas e, em 1941, abdicaram do controle alfandegário.
Era Magloire
Em 1946, uma rebelião popular derruba o presidente mulato Elis Lescot, levando ao poder o negro Dumarsais Estimé, que é destituído por um golpe militar liderado por Raoul Magloire em 1950. Durante o governo de Magloire, é promulgada uma nova constituição que, pela primeira vez, dá ao povo haitiano o direito de eleger diretamente o presidente. Magloire, porém, decide perpetuar-se no poder com o apoio do exército, o que provoca uma violenta reação popular, resultando na renúncia do presidente. Segue-se novo período de instabilidade: nos nove meses seguintes à queda de Magloire, o Haiti conhece sete governantes diferentes. Finalmente, em 1957, após eleições de validade duvidosa, é eleito o intelectual negro François Duvalier.
Era Duvalier
O período mais sombrio na história do Haiti iniciou-se em 1957 com a ditadura de François Duvalier. Médico sanitarista com certo prestígio mundial, devido a suas ligações com o movimento negro, realizara excelente trabalho junto às populações rurais no combate à malária, sendo apelidado de Papa Doc(papai médico). O regime montou um aparato de repressão militar que perseguiu seus opositores, torturando-os e assassinando muitos deles. A repressão era encabeçada pela milícia secreta dos tontons macoutes, cuja tradução é "bichos papões". Apoiado no vodu, Papa Doc morreu em 1971, após ter promulgado uma constituição em 1964 que lhe dera um mandato vitalício e ter conseguido que seu filho menor fosse declarado seu sucessor. Seu filho Jean Claude Duvalier, o Baby Doc, que assumiu o poder aos 19 anos, deu continuidade ao regime de terror imposto pelo pai. Governou até 1986, quando foi deposto por um golpe militar. Os militares que assumiram o poder sucederam-se no governo por vários anos. A esperança de redemocratização surgiu em 1990, quando ocorreram eleições livres e a população elegeu o padre Jean Bertrand Aristide para presidente.
Era Aristide
O Haiti de 1986 a 1990 foi governado por uma série de governos provisórios. Em 1987, uma nova constituição foi feita. Em dezembro de 1990, Jean-Bertrand Aristide foi eleito com 67% dos votos. Porém poucos meses depois, Aristide foi deposto por um novo golpe militar e a ditadura foi restaurada no Haiti.
Em 1994, Aristide retornou ao poder, com auxílio do Estados Unidos. Mesmo assim, o ciclo de violência, corrupção e miséria não foi rompido. Em dezembro de 2003, sob pressão crescente da ala rebelde, Aristide prometeu eleições novas dentro de seis meses. Os protestos contra Aristide, em janeiro de 2004, fizeram várias mortes na capital do Haiti, Porto Príncipe. Em fevereiro, com o avanço dos rebeldes, o ex-presidente foge para a África e o Haiti sofre intervenção internacional pela ONU.
ECONOMIA DO HAITÍ
No século XVIII, o Haiti, então chamado de Saint-Domingue, e governado pelos franceses, era a mais próspera colônia no Novo Mundo. Seu solo enormemente fértil produzia uma grande abundância de colheitas e atraiu milhares de colonizadores franceses.
Desde o período de colonização o Haiti possui uma economia primária. Produzia açúcar de excelente qualidade, que concorreu com o açúcar brasileiro no século XVII e junto com toda produção das Antilhas serviu para a desvalorização do açúcar brasileiro na Europa. Após vários regimes ditatoriais, hoje em dia seu principal produto de exportação ainda continua sendo o açúcar, além de outros produtos como banana, manga, milho, batata-doce, legumes, tubérculos e muito mais.
Atualmente sua economia encontra-se destroçada e em ruínas. O país permanece extremamente pobre, sendo o mais pobre da América e de todo Hemisfério Ocidental, tão miserável como Timor-Leste, Afeganistão, entre outros. 50,2% da população é analfabeta, a expectativa de vida é de apenas 51 anos. Sua renda per capita é um-terço da renda da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Os Fatos e as imagensmostram a História
Em sua viagem ao Haiti ,Gonoivesmosta apobresa e a miséria que vivia aquela naçãoe junho de 2007.
Ele inicia com o seguinte enunciado :
Gonaives, HAITI. Pobreza, Miseria e historia na cidade da independencia do pais (1 JAN 1804).
IDADE - o país de 8,9 milhões de habitantes. A média de idade é de 18,5 anos e a esperança média de vida é de 57 anos.
RENDIMENTO - Dois terços da população não tem trabalho fixo e vive com menos de 60 cêntimos de Euro diários e metade da população sofre de subnutrição. Há comida nos supermercados e mercados da cidade, mas não há dinheiro para a comprar.
DÍVIDA - A inflação em 2007 foi de 9% e a dívida externa atingiu os 1.463 mil milhões de dólares.
Em 2008, o preço dos alimentos no Haiti deve crecer 80%, segundo os números da ONU.
Bolos feitos de lama - terra, água, sal e margarina. É assim que grande parte dos haitianos se alimenta. Gasta um cêntimo por bolo e vive com 60 cêntimos por dia. Georges Wesner levanta-se todos os dias às 4h. Caminha durantes duas horas até chegar a um posto de distribuição de comida, onde enche dois pequenos baldes com arroz e feijão. Durante as semanas seguintes, será o alimento para si e para os seis filhos. Quando a comida acabar, terá de recorrer ao bolo de lama.
No Haiti, o país mais pobre do mundo ocidental, a subida imparável dos preços dos alimentos levou a população a encontrar uma solução de emergência para matar a fomo: um bolo feito à base de barro. Antes, só era consumido por mulheres grávidas em busca de fontes de cálcio. Agora, tornou-se uma forma de iludir a fome com a escalada do preço dos produtos alimentares como o arroz e os cereais. Um fatia cada vez maior da população luta pela sobrevivência - mais de 80% dos haitianos já vivem abaixo do limiar de pobreza. E por isso cada vez mais consomem os bolos que parecem pequenos pratos de barro, moldados pelas mulheres e deixados a secar ao sol das Caraíbas. São vendidos pelo equivalente a 1 cêntimo de euro: tornaram-se a forma mais barata de matar a fome - e a única que, até agora, se mantém imune à inflação. Na maioria das vezes, as
mulheres que os preparam recorrem ao sal e à margarina para tentar disfarçar o sabor da terra misturada com àgua. Em vão, diz quem já experimentou.
O terremoto de 7 graus na Escala Richter que atingiu o Haiti é mais uma tragédia que atingiu o pais mais pobre e conflagrado da América Latina. Com pouco mais de 22 milhões de habitantes, sendo 47% analfabetos e 8 em cada 10 abaixo da linha da pobreza, a nação sofre ainda com níveis altíssimos de corrupção e instituições que sequer nasceram ainda.
O mundo inteiro está se mobilizando para ajudar os haitianos. Alemãos, islandeses e japoneses enviaram equipes especializadas emresgate. Até mesmo um sonare de última geração chegou ao Haiti. Norte-americanos e ingleses ofereceram ajuda financeira e já se prontificaram para, junto dos brasileiros e canadenses, reconstruir o país. Os Estados Unidos também enviaram um porta-aviões adaptado como hospital. Até mesmo a tão criticada Cuba enviou 300 médicos.
Organizações Não-Governamentais dos mais diversos países se também se mobilizaram para ajudar o Haiti. A Cruz Vermelha Internacional abriu uma conta bancária para receber dinheiro. Do mundo todo chegam donativos de roupas, remédios, alimentos e água.
Há apenas dois anos, o mesmo Haiti sofreu com a passagem de dois furacões e duas tempestades tropicais que já haviam devastado a pouca inmfra-estrutura que havia no país.
Num momento como esse, acredito que todos devamos nos perguntar: porque precisa acontecer uma trajédia dessas para que o ser humano mostre o seu melhor?
O terremoto foi um incidente que, até o momento, matou 7 mil pessoas e devastou a capital Porto Príncipe. Mas o Haiti vem lutando contra a fome, miséria e pobreza há muitos anos. Neste exato momento, provavelmente alguma mulher está sendo estuprada em Darfur, no Sudão, bem como homens, velhos e crianças são torturados e mortos. Na Espanha, o povo basco luta há 40 anos por independência, bem como os tibetanos. E o Paquistão continua em pé de Guerra com a Índia por causa da Caxemira. Podemos também lembrar o genocídio nas Balcãs.
Porque é necessário que aja uma trajédia para que a comunidade internacional se mobilize e mande ajuda?
Um acontecimento desses gera repercussão internacional e, por mais que seja uma calamidade, consegue despertar no ser humano a caridade, o amor ao próximo e a capacidade de se colocar no lugar daquela pessoa que sofre.
So que realmente temos de nos perguntar porque isso não acontece sempre. A maioria dos conflitos, hoje, no mundo, cessariam se houvesse pressão internacional. Mas ninguém fala sobre Darfur, sobre a situação dos bósnios, albaneses, tibetanos. Da mesmo forma que, antes do terremoto, ninguém pouco se falava sobre a situação dos Haitianios.
ANTES DO TERREMOTO, COM TODA A MISÉRIA QUE SE PRESNCIAVA O MUNDO , PRINCIPALMENTE OS PAÍSES DESENVILVIDOS, NÃO DAVAM NENHUMA ATENÇÃO AO CAOS HAITIANO.
Precisou haver esta terrível catástrofe para que o mundo olhasse um pouquinho para o País mais pobre do mundo.
País que foi explorado pelos seus colonizadores e seus tutores, sofrido e humilhado pela pobreza e pela miséria, mais é um povo forte que lutou e luta até hoje pela sobrevivência.
História do Haiti
Os primeiros humanos no Haiti, também conhecido como La Española' ou Hispaniola, chegaram à ilha há mais de 1000anosaC, possivelmente 7000 aC. Em 5 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo ao viajar para o ocidente atingiu uma grande ilha. Mais tarde passou a ser chama de São Domingos; dividida entre dois países - a República Dominicana e o Haiti - , é a segunda maior das Grandes Antilhas, com a superfície de 76.192 km² e cerca de 9 milhões de habitantes. Com 640 km de extensão entre seus pontos extremos, a ilha tem formato semelhante à cabeça de um caimão (pequeno crocodilo abundante na região), cuja "boca" aberta parece pronta a devorar a pequena ilha de Gonâve. O litoral norte abre-se para o oceano Atlântico, e o sul para o mar do Caribe (ou das Antilhas).
Conquista espanhola
Depois da chegada de Colombo, os espanhóis estabeleceram fortes no litoral da ilha; depois da segunda viagem de Colombo à ilha, a colonização foi estendida para toda a ilha, ocorrendo a escravização de indígenas para a agricultura e cerâmica. A partir de 1520 a colonização espanhola no Haiti teve sua decadência. Depois da decadência espanhola, a partir de 1625, a ilha teve grande influência francesa. Em 1697 a Espanha e a França assinaram o Tratado de Ryswick, que determina a passagem do controle da ilha para a França. Por essa época praticamente toda a população nativa havia sido dizimada pela força e pelas doenças.
Colonização francesa
Abrigados na estratégica ilha de Tortuga, os piratas franceses passaram a ocupar partes da ilha. As tropas enviadas para combatê-los acabaram por se estabelecer na sua porção ocidental. Os conflitos com os espanhóis duraram pelo menos até 1776, quando o terço ocidental da ilha passou definitivamente ao domínio francês. Durante todo o século XVIII os franceses incrementaram a formação da lavoura açucareira na região, importando escravos africanos em grande quantidade. Ao começar a Revolução Francesa, viviam na colônia cerca de 500 mil negros, 24 mil mestiços e 32 mil brancos. O Haiti, proporcionalmente a seu território e sua rentabilidade, podia ser considerado como uma das mais ricas colônias da América, a "pérola das Antilhas".
Independência
O Haiti foi o primeiro país latino-americano a declarar-se independente. Os movimentos insurrecionais da população escrava, numericamente com uma superioridade esmagadora, começaram a se tornar frequentes. Em 1754 havia 465 mil escravos, e a classe dominante era composta por apenas 5 mil brancos, sendo o restante de negros e mulatos livres e brancos pobres. Nesse ano desencadeou-se a revolta do escravo Mackandal, que utilizou os ritos do vodu para aterrorizar os senhores e unir os escravos contra eles. Após quatro anos de guerrilhas, Mackandal foi preso e condenado à fogueira como feiticeiro, mas diz-se que fugiu pouco antes da execução. Em consequencia, os franceses passaram a reprimir o vodu.
A Revolução Francesa, com seus ideais de liberdade, foi o estopim para outra revolta, liderada pelo mulato Vicente Ogé, que acabou preso e supliciado na roda. Mas a rebelião se espalha e os escravos passam a fugir em massa e massacrar seus senhores, estimulados pela própria dissenção entre os brancos sobre o apoio aos revolucionários na França ou a independência da colônia. Financiados pelos ingleses e espanhóis, inimigos dos franceses, negros e mulatos se unem sob a liderança de Toussaint l'Ouverture, um escravo negro que aprendera a ler e adquirira certa cultura intelectual. Em 1794, a França declara a abolição da escravidão nas colônias, conseguindo que Toussaint passasse a apoiar as autoridades francesas. Pouco a pouco seu prestígio foi crescendo entre brancos e negros. Em 1801, após derrotar os ingleses e espanhóis, Toussaint preparou a independência do Haiti como um estado associado à França revolucionária. Em seguida, cuidou da volta dos ex-escravos à lavoura do país quase devastado e preparou um projeto de constituição. Entretanto, o novo governo revolucionário francês, sob o comando do cônsul Napoleão Bonaparte, rejeitou a proposta de Toussaint e mandou o general Leclerc para recuperar a rica colônia. Valendo-se da traição, Leclerc enviou Toussaint para a França, onde morreu prisioneiro. Porém, um dos generais de Toussaint, o ex-escravo e analfabeto Jean-Jacques Dessalines continuou a rebelião e expulsou as tropas francesas, proclamando a independência em 1 de janeiro de 1804. Nomeado governador da ilha, Dessalines se proclama imperador, como Napoleão e unifica a ilha. Dois anos depois, é deposto e morto e o país tem o controle dividido entre Henri Christophe, que funda um reino ao norte, e Alexandre Pétion, liderando uma república ao sul, e voltando o leste aos espanhóis. A unificação do país só acontece em 1820 sob o governo de Jean-Pierre Boyer, que governou como ditador até 1843.
Intervenção americana
Entre a deposição de Boyer e a intervenção dos Estados Unidos, o Haiti conheceu vinte e um governantes que tiveram final trágico. Digno de nota foi Faustin Soulouque, que, nomeado presidente em 1847, conquistou a República Dominicana em 1849 e foi proclamado imperador, promovendo um renascimento das práticas vodus e apoiando-se nos negros. A luta pela independência dos dominicanos levou à derrocada de seu governo, tendo sido deposto em 1858 e exilado. Dos demais governantes, um presidente foi envenenado, outro morreu na explosão de seu palácio, outros foram condenados à morte e um deles, Vilbrum Sam, foi linchado pelo povo. A economia caótica e a instabilidade institucional levaram os EUA a intervir no país a fim de cobrar a dívida externa. Em 1905, passaram a controlar as alfândegas e, em 1915, invadiram militarmente a ilha e assumiram o governo. A intervenção reorganizou as finanças e impulsionou o desenvolvimento da nação. Os americanos impuseram uma nova constituição e se comprometeram a respeitar a soberania do país. Seguiram-se sucessivos governos da elite mulata. A presença das tropas americanas impediam a anarquia e a guerra civil, porém não puderam conter a fragilidade dos governos nem a constante oposição dos nacionalistas, que não desejavam a continuidade das tropas estrangeiras. Em 1934, os EUA retiraram suas tropas e, em 1941, abdicaram do controle alfandegário.
Era Magloire
Em 1946, uma rebelião popular derruba o presidente mulato Elis Lescot, levando ao poder o negro Dumarsais Estimé, que é destituído por um golpe militar liderado por Raoul Magloire em 1950. Durante o governo de Magloire, é promulgada uma nova constituição que, pela primeira vez, dá ao povo haitiano o direito de eleger diretamente o presidente. Magloire, porém, decide perpetuar-se no poder com o apoio do exército, o que provoca uma violenta reação popular, resultando na renúncia do presidente. Segue-se novo período de instabilidade: nos nove meses seguintes à queda de Magloire, o Haiti conhece sete governantes diferentes. Finalmente, em 1957, após eleições de validade duvidosa, é eleito o intelectual negro François Duvalier.
Era Duvalier
O período mais sombrio na história do Haiti iniciou-se em 1957 com a ditadura de François Duvalier. Médico sanitarista com certo prestígio mundial, devido a suas ligações com o movimento negro, realizara excelente trabalho junto às populações rurais no combate à malária, sendo apelidado de Papa Doc(papai médico). O regime montou um aparato de repressão militar que perseguiu seus opositores, torturando-os e assassinando muitos deles. A repressão era encabeçada pela milícia secreta dos tontons macoutes, cuja tradução é "bichos papões". Apoiado no vodu, Papa Doc morreu em 1971, após ter promulgado uma constituição em 1964 que lhe dera um mandato vitalício e ter conseguido que seu filho menor fosse declarado seu sucessor. Seu filho Jean Claude Duvalier, o Baby Doc, que assumiu o poder aos 19 anos, deu continuidade ao regime de terror imposto pelo pai. Governou até 1986, quando foi deposto por um golpe militar. Os militares que assumiram o poder sucederam-se no governo por vários anos. A esperança de redemocratização surgiu em 1990, quando ocorreram eleições livres e a população elegeu o padre Jean Bertrand Aristide para presidente.
Era Aristide
O Haiti de 1986 a 1990 foi governado por uma série de governos provisórios. Em 1987, uma nova constituição foi feita. Em dezembro de 1990, Jean-Bertrand Aristide foi eleito com 67% dos votos. Porém poucos meses depois, Aristide foi deposto por um novo golpe militar e a ditadura foi restaurada no Haiti.
Em 1994, Aristide retornou ao poder, com auxílio do Estados Unidos. Mesmo assim, o ciclo de violência, corrupção e miséria não foi rompido. Em dezembro de 2003, sob pressão crescente da ala rebelde, Aristide prometeu eleições novas dentro de seis meses. Os protestos contra Aristide, em janeiro de 2004, fizeram várias mortes na capital do Haiti, Porto Príncipe. Em fevereiro, com o avanço dos rebeldes, o ex-presidente foge para a África e o Haiti sofre intervenção internacional pela ONU.
ECONOMIA DO HAITÍ
No século XVIII, o Haiti, então chamado de Saint-Domingue, e governado pelos franceses, era a mais próspera colônia no Novo Mundo. Seu solo enormemente fértil produzia uma grande abundância de colheitas e atraiu milhares de colonizadores franceses.
Desde o período de colonização o Haiti possui uma economia primária. Produzia açúcar de excelente qualidade, que concorreu com o açúcar brasileiro no século XVII e junto com toda produção das Antilhas serviu para a desvalorização do açúcar brasileiro na Europa. Após vários regimes ditatoriais, hoje em dia seu principal produto de exportação ainda continua sendo o açúcar, além de outros produtos como banana, manga, milho, batata-doce, legumes, tubérculos e muito mais.
Atualmente sua economia encontra-se destroçada e em ruínas. O país permanece extremamente pobre, sendo o mais pobre da América e de todo Hemisfério Ocidental, tão miserável como Timor-Leste, Afeganistão, entre outros. 50,2% da população é analfabeta, a expectativa de vida é de apenas 51 anos. Sua renda per capita é um-terço da renda da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Os Fatos e as imagensmostram a História
Em sua viagem ao Haiti ,Gonoivesmosta apobresa e a miséria que vivia aquela naçãoe junho de 2007.
Ele inicia com o seguinte enunciado :
Gonaives, HAITI. Pobreza, Miseria e historia na cidade da independencia do pais (1 JAN 1804).
IDADE - o país de 8,9 milhões de habitantes. A média de idade é de 18,5 anos e a esperança média de vida é de 57 anos.
RENDIMENTO - Dois terços da população não tem trabalho fixo e vive com menos de 60 cêntimos de Euro diários e metade da população sofre de subnutrição. Há comida nos supermercados e mercados da cidade, mas não há dinheiro para a comprar.
DÍVIDA - A inflação em 2007 foi de 9% e a dívida externa atingiu os 1.463 mil milhões de dólares.
Em 2008, o preço dos alimentos no Haiti deve crecer 80%, segundo os números da ONU.
Bolos feitos de lama - terra, água, sal e margarina. É assim que grande parte dos haitianos se alimenta. Gasta um cêntimo por bolo e vive com 60 cêntimos por dia. Georges Wesner levanta-se todos os dias às 4h. Caminha durantes duas horas até chegar a um posto de distribuição de comida, onde enche dois pequenos baldes com arroz e feijão. Durante as semanas seguintes, será o alimento para si e para os seis filhos. Quando a comida acabar, terá de recorrer ao bolo de lama.
No Haiti, o país mais pobre do mundo ocidental, a subida imparável dos preços dos alimentos levou a população a encontrar uma solução de emergência para matar a fomo: um bolo feito à base de barro. Antes, só era consumido por mulheres grávidas em busca de fontes de cálcio. Agora, tornou-se uma forma de iludir a fome com a escalada do preço dos produtos alimentares como o arroz e os cereais. Um fatia cada vez maior da população luta pela sobrevivência - mais de 80% dos haitianos já vivem abaixo do limiar de pobreza. E por isso cada vez mais consomem os bolos que parecem pequenos pratos de barro, moldados pelas mulheres e deixados a secar ao sol das Caraíbas. São vendidos pelo equivalente a 1 cêntimo de euro: tornaram-se a forma mais barata de matar a fome - e a única que, até agora, se mantém imune à inflação. Na maioria das vezes, as mulheres que os preparam recorrem ao sal e à margarina para tentar disfarçar o sabor da terra misturada com àgua. Em vão, diz quem já experimentou.
O terremoto de 7 graus na Escala Richter que atingiu o Haiti é mais uma tragédia que atingiu o pais mais pobre e conflagrado da América Latina. Com pouco mais de 22 milhões de habitantes, sendo 47% analfabetos e 8 em cada 10 abaixo da linha da pobreza, a nação sofre ainda com níveis altíssimos de corrupção e instituições que sequer nasceram ainda.
O mundo inteiro está se mobilizando para ajudar os haitianos. Alemãos, islandeses e japoneses enviaram equipes especializadas emresgate. Até mesmo um sonare de última geração chegou ao Haiti. Norte-americanos e ingleses ofereceram ajuda financeira e já se prontificaram para, junto dos brasileiros e canadenses, reconstruir o país. Os Estados Unidos também enviaram um porta-aviões adaptado como hospital. Até mesmo a tão criticada Cuba enviou 300 médicos.
Organizações Não-Governamentais dos mais diversos países se também se mobilizaram para ajudar o Haiti. A Cruz Vermelha Internacional abriu uma conta bancária para receber dinheiro. Do mundo todo chegam donativos de roupas, remédios, alimentos e água.
Há apenas dois anos, o mesmo Haiti sofreu com a passagem de dois furacões e duas tempestades tropicais que já haviam devastado a pouca inmfra-estrutura que havia no país.
Num momento como esse, acredito que todos devamos nos perguntar: porque precisa acontecer uma trajédia dessas para que o ser humano mostre o seu melhor?
O terremoto foi um incidente que, até o momento, matou 7 mil pessoas e devastou a capital Porto Príncipe. Mas o Haiti vem lutando contra a fome, miséria e pobreza há muitos anos. Neste exato momento, provavelmente alguma mulher está sendo estuprada em Darfur, no Sudão, bem como homens, velhos e crianças são torturados e mortos. Na Espanha, o povo basco luta há 40 anos por independência, bem como os tibetanos. E o Paquistão continua em pé de Guerra com a Índia por causa da Caxemira. Podemos também lembrar o genocídio nas Balcãs.
Porque é necessário que aja uma trajédia para que a comunidade internacional se mobilize e mande ajuda?
Um acontecimento desses gera repercussão internacional e, por mais que seja uma calamidade, consegue despertar no ser humano a caridade, o amor ao próximo e a capacidade de se colocar no lugar daquela pessoa que sofre.
So que realmente temos de nos perguntar porque isso não acontece sempre. A maioria dos conflitos, hoje, no mundo, cessariam se houvesse pressão internacional. Mas ninguém fala sobre Darfur, sobre a situação dos bósnios, albaneses, tibetanos. Da mesmo forma que, antes do terremoto, ninguém pouco se falava sobre a situação dos Haitianios.
ANTES DO TERREMOTO, COM TODA A MISÉRIA QUE SE PRESNCIAVA O MUNDO , PRINCIPALMENTE OS PAÍSES DESENVILVIDOS, NÃO DAVAM NENHUMA ATENÇÃO AO CAOS HAITIANO.
Precisou haver esta terrível catástrofe para que o mundo olhasse um pouquinho para o País mais pobre do mundo.
País que foi explorado pelos seus colonizadores e seus tutores, sofrido e humilhado pela pobreza e pela miséria, mais é um povo forte que lutou e luta até hoje pela sobrevivência.