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sexta-feira, 29 de julho de 2011

VACINA TRIPICE VIRAL OU MMR OU SRC

A Vigilância Epidemiológica no Brasil


O Brasil coleciona vitórias importantes na saúde coletiva, como:

01. a erradicação da poliomielite desde 1989;

02. a interrupção da circulação autóctone do vírus do sarampo, a partir de 2000;

03. e da transmissão vetorial doença da Chagas pelo T. infestans.

Há boas perspectivas de eliminação do tétano neonatal, da raiva humana transmitida por animais domésticos e, com a realização da grande campanha de vacinação realizada em 2008, da rubéola e da síndrome da rubéola congênita. No conjunto, as doenças imunopreveníveis vêm tendo uma redução de casos e mortes de 153 mil casos para 1.268 e de 5.500 para 140 óbitos, desde 1980.


VACINA DO SARAMPO

(MMR ou SRC)

A vacina o contra sarampo é composta de vírus vivos atenuados e cultivados em fibroblastos de embriões de galinha.

A cepa empregada na Bio – Manguinhos é a CAM 70 e deve conter no mínimo 1.000 TCID50. É distribuída na forma liofilizada, acompanhada de diluente próprio, sendo conservada em geladeira entre +2 e +8ºC.

Deve ser aplicada a partir dos 12 meses de idade em conjunto com a vacina da rubéola e da caxumba (MMR II ou Trimovax).

A. pela via subcutânea,

B. de preferência no terço médio da face posterior do Braço Esquerdo ou na região glútea.

ESPECIFICANDO:

A vacina tríplice viral é preparada a partir de vírus vivos atenuados do sarampo (cepas Schwarz, Moraten e Edmonston Zagreb), da caxumba (cepas Jeryl Lynn, L-3 Zagreb e Urabe AM9) e da rubéola (cepa Wistar RA27/3). Existem três combinações vacinais de diferentes cepas de sarampo e caxumba com o vírus da rubéola. Esta vacina é indicada no Brasil para crianças a partir dos 12 meses de idade, devendo receber uma dose única de 0,5 ml pela via subcutânea na região do deltóide.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES

01. Em indivíduos que não tenham anticorpos circulantes maternos contra o sarampo, provoca soroconversão em 97% dos vacinados. Em crianças portadoras de convulsões febris e lesões cerebrais, deve-se ter cautela na aplicação da vacina.

02. O teste tuberculínico (PPD) pode ser deprimido temporariamente pelo efeito da vacinação. Nestes casos, quando indicado deve ser realizado previamente. As crianças submetidas ao tratamento da tuberculose podem ser vacinadas, não havendo risco de exacerbação da doença.

03. As complicações desta vacina ocorrem em 40% dos casos e são: febre, exantema morbiliforme – que ocorre entre o quinto e o 12º dia após a aplicação - manifestações do trato respiratório superior, encefalite e raramente púrpura. Não exigem tratamento especial.

04. As contra-indicações são aquelas comuns a todas as vacinas com vírus vivos:

a. doenças febris de origem indeterminada,

b. gestação,

c. alergia ao ovo de galinha,

d. aplicação recente de sangue,

e. aplicação recente de plasma ou gamaglobulinas (há menos de seis semanas),

f. imunodeprimidos, tais como em doentes com leucemia, linfomas ou submetidos à terapêutica por corticosteróides ou imunossupressores.

05. As falhas da vacinação podem ocorrer por:

a. refrigeração inadequada da vacina,

b. exposição excessiva à luz,

c. diluente indevido,

d. prazo de validade esgotado,

e. aplicação misturada com outras vacinas

f. erros de diagnóstico.

IMPORTANTE:

01. Os profissionais da saúde podem receber uma dose única desta vacina com o objetivo de prevenir as três doenças. Todos os três componentes desta vacina são altamente imunogênicos e eficazes, dando imunidade duradoura por praticamente toda a vida. A proteção inicia-se cerca de duas semanas após a vacinação e a soroconversão é em torno de 95%.

02. As vacinas com vírus vivos atenuados não devem ser aplicadas em crianças com deficiência adquirida ou congênita, exceto os pacientes HIV positivos que poderão ser vacinados. As mulheres vacinadas deverão evitar a gravidez durante três meses, embora as gestantes quando vacinadas não deverão considerar a interrupção da gravidez.

03. As crianças com neoplasias malígnas e sob efeito de corticosteróides, imunossupressores e/ou radioterapia só devem ser vacinadas após três meses da suspensão da terapêutica. Está contra-indicada a vacina para os indivíduos alérgicos ao ovo de galinha, à neomicina e à kanamicina.

04. Deve-se adiar a vacinação quando o paciente apresentar doença febril aguda grave, quando estiver sob uso de corticosteróides, imunossupressores e/ou radioterapia (adia-se a vacinação por três meses). A vacina só deve ser aplicada duas semanas antes ou cerca de três meses após o uso de derivados do sangue (plasma, imunoglobulinas, sangue total).

05. Entre as manifestações locais da vacina salienta-se ardência no local da injeção, eritema, hiperestesia, enduração, linfadenopatia regional. O tratamento deve ser feito com analgésicos e compressas frias ou quentes. Não há contra-indicação de se aplicar as doses subseqüentes da vacina.

06. Entre as manifestações sistêmicas gerais observam-se de 0,5 a 4% de aumento de temperatura corporal, irritabilidade, conjuntivite e sintomas catarrais (5 a 12 dias após). Cinco a 12% desenvolvem febre acima de 39,5º C. Neste caso pode ocorrer convulsões. O exantema está presente em cerca de 5% dos casos (7 a 10 dias após) e a linfadenopatia em menos de 1% e aparece entre 7 e 21 dias após a aplicação. O tratamento deve ser feito com analgésicos e compressas frias ou quentes. Não há contra-indicação de doses subseqüentes da vacina.

07. Entre as manifestações relativas ao sistema nervoso central salienta-se a meningite, a encefalite e a pan-encefalite esclerosante subaguda. A meningite em geral é causada pelo vírus da caxumba em geral da cepa Urabe AM9. A encefalite pode ser causada tanto pelo vírus da caxumba, quanto pelo do sarampo. A pan-encefalite esclerosante subaguda está relacionada com o vírus selvagem do sarampo, embora a vacina não esteja totalmente isenta deste efeito colateral. Outras manifestações nervosas tais como ataxia cerebelar, mielite transversa, meningite asséptica, síndrome de Reye, síndrome de Guillain-Barré, surdez e retinopatia raramente têm sido relatadas. A avaliação clínica por especialista (neurologista, pediatra ou infectologista) deve sempre ser indicada. Nestes casos há contra-indicação de doses subseqüentes da vacina.

08. Além disso, tem sido relatado púrpura trombocitopênica (causada pela cepa do vírus do sarampo), orquite, parotidite e pancreatite (vírus da caxumba – em geral cepa Urabe). As reações articulares tais como artrite e artralgias são causadas pela cepa viral da rubéola (Wistar RA27/3). Apesar dos eventos adversos relatados, trata-se de uma vacina bastante segura e deve ser preconizada para todas as crianças a partir dos 12 meses de idade.


Podemos ter a seguinte explanação sobra a MMR ( TRIPICE VIRAL )

VACINA TRÍPLICE VIRAL

A tríplice viral é uma vacina combinada de vírus vivos atenuados cujo uso se destina ao controle e à eliminação do sarampo, da caxumba e da rubéola.

Composição

Entre as diversas vacinas tríplices virais, três são as combinações examinadas a seguir:

I-Vacina liofilizada com os seguintes componentes:

· Vírus atenuado do sarampo, cepa Schwarz, cultivado em ovos embrionados de galinha, com, pelo menos 1.000 TCID 50 por dose.

· Vírus atenuado da caxumba, cepa Urabe AM9, cultivado em ovos embrionados de galinha com, no mínimo 5.000 TCID50 por dose.

· Vírus atenuado da rubéola, cepa Wistar RA 27/3, cultivado em células diplóides humanas, com o mínimo de 1.000 TCID 50 por dose.

· A vacina contém ainda traços de neomicina e kanamicina, além de gelatina hidrolisada com estabilizador e vermelho fenol.

II–Vacina liofilizada contendo:

· Vírus atenuado do sarampo, cepa Moraten, cultivado em células de embrião de galinha, na dose mínima de 1.000 TCID50.

· Vírus atenuado da caxumba, cepa Jeryl Lynn, também cultivado de embrião de galinha na dose mínima de 5.000 TCID50.

· Vírus atenuado da rubéola, cepa Wistar RA 27/3 com, pelo menos, 1.000 TCID50.

A vacina contém ainda gelatina hidrolisada e sorbitol como estabilizadores e neomicina.

III–Vacina liofilizada composta por:

· Vírus atenuado do sarampo, cepa Edmonston-Zagreb, cultivada em células diplóides humanas, com pelo menos, 1.000 TCID50 por dose.

· Vírus atenuado da caxumba, cepa L-3 Zagreb, cultivado em fibroblastos de embrião de galinha, na dose mínima de 5.000 TCID50.

· Vírus atenuado da rubéola, cepa Wistar RA 27/3 com, pelo menos, 4.000 PFU por dose.

Eventos adversos

São inúmeras as possibilidades de efeitos adversos, a seguir descreveremos alguns deles:

a. Manifestações locais

b. Manifestações sistêmicas

c. Manifestações relativas ao sistema nervoso-meningite, encefalite, encefalopatia e pan-encefalite esclerosante subaguda.

d. Outras manifestações nervosas

e. Púrpura trombocitopênica

f. Reações de hipersensibilidade

g. Reações articulares

h. Parotidite

i. Outros eventos

A seguir estão descritos alguns efeitos adversos e seus respectivos tratamentos. Vejamos :

A. Manifestações locais

É pouco comum a queixa de ardência de curta duração no local da injeção. São ainda mais incomuns eritema, hiperestesia e enduração, assim como linfadenopatia regional.

Nos indivíduos com hipersensibilidade a qualquer componente das vacinas pode haver resposta imune do tipo tardio sob a forma de nódulo ou pápula acompanhada de rubor.

Notificação e investigação

Notificar e investigar os casos com abscessos ou outras reações locais intensas (edema e/ou vermelhidão extensos, limitação de movimentos acentuada e duradoura); notificar também o aumento exagerado de determinada(s) reação (ões) locais, associada (s) eventualmente a erros de técnica ou a lote vacinal (“surtos”).

Conduta

a) Tratamento sintomático.

b) Não há contra-indicação para doses subseqüentes.

B- Manifestações sistêmicas

B. A1 - Manifestações gerais

Alguns vacinados (0,5 a 4%) têm 5 a 12 dias depois da vacinação, apenas discreta elevação da temperatura, cefaléia ocasional, irritabilidade, conjuntivite ou manifestações catarrais.

Em 5 a 15% ocorre febre de 39,5ºC ou mais, que surge entre o 5º e o 12º dia e dura, em geral, 1 a 2 dias, às vezes até 5 dias. Pode estar associada a qualquer um dos componentes da vacina. As crianças predispostas podem, nessa oportunidade, apresentar convulsões de evolução benigna.

Exantema de extensão variável, associado ao componente do sarampo ou da rubéola, aparece em cerca de 5% dos vacinados, 7 a 10 dias após a imunização, durando 1 a 2 dias.

Linfadenopatias se instalam em menos de 1% dos vacinados, do sétimo ao vigésimo primeiro dia. Normalmente associados ao componente da rubéola.

Notificação e investigação

Estas devem ser notificadas e investigadas se detectadas acima do percentual esperado (“surtos”).

Conduta

a) Observação e tratamento sintomático.

b) Não há contra-indicação para doses subseqüentes.

c) No caso de convulsões, pode eventualmente ser necessária investigação clínica e laboratorial.

B.A2. Manifestações relativas ao sistema nervoso-meningite, encefalite, encefalopatia e pan-encefalite esclerosante subaguda.

A meningite instala-se duas a três semanas depois da vacinação e sua freqüência é variável de acordo com a linhagem do vírus vacinal da caxumba. É muito rara com a Jeryl Lynn (ocorrendo em 1:800.000 a 1:1.000.000 de vacinados), sendo, no entanto, relativamente mais freqüente com a Urabe (ocorrendo em 1:1.000 a 1:90.000 vacinados). Sua evolução é, em geral benigna.

A encefalite e a encefalopatia surgem de 15 dias a um mês depois da vacinação e parecem atingir apenas 1:1.000.000 a 1:2.500.000 dos vacinados, risco não maior do que se observa na população geral. As seqüelas, se ocorrem, são excepcionais e estão associadas aos componentes do sarampo e da caxumba.

Em relação aos casos de panencefalite esclerosante subaguda (PEESA) pós-vacinal, não há dados epidemiológicos documentados que realmente comprovem o risco vacinal. Entretanto há casos de PEESA em crianças sem história de doença natural e que receberam a vacina. Alguns destes casos podem ter resultado de um sarampo não diagnosticado mas também podem ser devidos à vacinação. Nos EUA, com bases em estimativas nacionais de morbidade de sarampo e distribuição de vacina, o risco de PEESA pós vacinal é de 0,7 caso/1.000.000 de doses e após a doença natural é de 8,5/1.000.000 casos de sarampo. Há relatos também de outras manifestações neurológicas do tipo ataxia, mielite transversa, meningite asséptica, paralisia ascedente, paralisia do oculomotor, neurite óptica, síndrome de Reye, síndrome de Guillain Barré e retinopatia, mas essas são somente associações temporais com a vacina contra o sarampo.

Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos.

Conduta

a) Avaliação clínica por neurologista, pediatria e/ou infectologista para definição de conduta adequada.

b) Há contra-indicação para doses subseqüentes.

B.A3 - Outras manifestações nervosas

Têm ainda sido relatados casos de radículoneurite braquial e lombo-sacra, síndrome de Guillain-Barré, síndrome de Reye, ataxia cerebelar, surdez sensório-neural, retinopatia, neurite óptica e paralisia ocular motora.

Todas são raras e sua associação com a vacina é muito duvidosa.

Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos.

Conduta

a) Tratamento sintomático.

b) A contra-indicação a doses subseqüentes deverá ser analisada em cada caso em particular.

B.A4 - Púrpura trombocitopênica

Surge dentro de dois meses após a vacinação em uma entre 30.000 ou 40.000 crianças vacinadas. A evolução é, em geral, benigna.

A presença de púrpura após a vacinação com a vacina tríplice viral (que possui o componente sarampo), em estudos prospectivos, tem variado de 1 caso para 30 mil vacinados na Finlândia e Grã-Bretanha a 1 caso para 40 mil vacinados na Suécia. Estudos através do sistema de vigilância passiva no Canadá e na França registraram a incidência de 1 caso por 100 mil doses distribuídas e 1 caso por 1 milhão de doses distribuídas nos Estados Unidos. A maioria desses casos evolui para a cura.

Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos.

Conduta

a) Crianças com história anterior de púrpura trombocitopênica podem ter um risco aumentado de apresentar púrpura pós-vacinal. A decisão de vacinar dependerá da relação risco-benefício. Na grande maioria das vezes o benefício da vacinação é maior porque o risco da criança ter um quadro de púrpura após a doença é maior que após a vacina. Quando se optar pela revacinação após a ocorrência de púrpura, recomenda-se um intervalo mínimo de 6 semanas entre a doença e a vacina. Em caso de púrpura pós-vacinal é contra-indicada a revacinação.

b) Tratamento sintomático das complicações da trombocitopenia.

B.A5 - Reações de hipersensibilidade

Reações de hipersensibilidade raramente ocorrem. A maioria dessas reações são menores e consistem em urticária no local da aplicação. Reações de anafilaxia são extremamente raras. Mais de 70 milhões de doses foram distribuídas nos EUA desde 1990 e foram notificados apenas 33 casos de reação anafilática. A anafilaxia é imediata (reação de hipersensibilidade do tipo I de Gell & Coombs), ocorrendo habitualmente na primeira hora após a exposição ao alérgeno, apresentando-se com uma ou mais das seguintes manifestações: urticária, sibilos, laringoespasmo, edema dos lábios, hipotensão e choque.

Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos.

Conduta

a)Tratamento sintomático

- A grande maioria dos casos não necessitou de tratamento medicamentoso, apresentando boa evolução.

b)Pessoas com história de reação anafilática após a ingestão do ovo ou após uso de neomicina e kanamicina (somente a vacina que utiliza a cepa Biken – Cam – 70 FIOCRUZ, contém a eritromicina e kanamicina, as outras vacinas contra o sarampo contêm a neomicina) não devem ser vacinadas.

As pessoas com história de reação alérgica ao ovo poderão receber as vacinas com a cepa Edmonston-Zagreb que são atenuadas em tecido de células diplóides humanas.

Os indivíduos com outros tipos de reações alérgicas, que não anafiláticas, podem ser vacinados normalmente.

B.A6 - Reações articulares

São provocadas pela vacina contra a rubéola, consistindo em artralgias ou artrites. Em crianças são transitórias e pouco freqüentes (0,3%), mas nas mulheres adultas a incidência de artralgia ou artrite chega, com a linhagem RA 27/3, a 15%, ocorrendo artropatia recorrente em 5% dos casos.

Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos de artrite.

Conduta

a) Tratamento sintomático.

b) Nos casos graves encaminhar para avaliação especializada para afastar outros diagnósticos diferenciais.

c) Há contra-indicação a doses subseqüentes.

Parotidite

É particularmente comum quando se usa a linhagem Urabe na vacina contra a caxumba. Surge 10 a 14 dias depois da vacinação e sua evolução é benigna e de curta duração.

Notificação e investigação

Notificar e investigar todos os casos.

Conduta

a) Tratamento sintomático.

b) Não há contra-indicação a doses subseqüentes.

C. Outros eventos

Citam-se ainda, na literatura, orquite e pancreatite, atribuídas à linhagem vacinal contra a caxumba, sendo bastante raras e sem gravidade.

Notificação e investigação

Desnecessária.

Conduta

a) Tratamento sintomático.

b) Não há contra-indicação para doses subseqüentes.

FONTE DE DA PESQUISA :

http://portal.saude.gov.br/portal/saude/Gestor/area.cfm?id_area=1498


http://www.vacinas.org.br/


sexta-feira, 15 de abril de 2011

DÚVIDAS SOBRE DUPLA DOSE DE VACINA DE FEBRE AMARELA

CASOS DE DUPLA VACINA DE FEBRE AMARELA



O médico infectologista do Ambulatório de Medicina do Viajante da Unifesp, Gustavo Johanson, disse em entrevista ao Conversa Afiada, que é arriscado tomar a vacina contra febre amarela mais de uma vez.

Gustavo Johanson - "Se a vacina foi dada num período curto – e nós estamos falando de dias – aí sim a pessoa corre um maior risco de sofrer com os efeitos adversos da vacina... um deles é a anafilaxia, o choque anafilático, a pessoa tem dificuldade respiratória, a pressão cai e se não for tratado em ambiente hospitalar rapidamente a pessoa pode, inclusive, evoluir para a morte", disse Johanson.

Outro efeito adverso que pode ser causado pela duplicidade de vacina, segundo Gustavo Johanson, é a encefalite, que é a inflamação do cérebro. Segundo ele, esse é um caso que ocorre mais raramente.

Nós sabemos que a proteção da vacina vale por dez anos. Portanto, antes de dez anos não há necessidade nenhuma de se tomar.


E agora, em referência à sua pergunta, nós temos que fazer algumas considerações. Se essas duas tomadas de vacina foram em períodos curtos, médios ou longos. Nós sabemos que se a pessoa tomou duas vezes a vacina, mas com período de anos entre uma e outra, mesmo que seja menos do que dez anos, nós sabemos que não há um grande problema nisso. Obviamente que não está indicado, não há necessidade, mas em termos da saúde da pessoa, isso não vai acarretar num maior risco de doença ou efeitos adversos da vacina. Agora, se a vacina foi dada por um período curto, e aí nós estamos falando de dias, meses, aí sim, realmente a pessoa corre o maior risco de sofrer com os efeitos adversos da vacina. Então, temos que fazer essa distinção entre o tempo de tomada da vacina.

Conversa Afiada – Ou quem já tomou a vacina no período de dez anos.

Gustavo Johanson – Quem vai viajar para essas áreas, mas já tomou a vacina e dentro do período de dez anos, não há necessidade de repetir a dose, não é esperado um reforço da imunidade, a imunidade está boa, antes de dez anos a gente considera que a pessoa está imune e protegida totalmente contra a febre amarela.

Fonte da Pesquisa : http://vozdissonante.livejournal.com/19899.html

Vacina da Febre Amarela

Perguntas e Respostas




1 - Pode haver problema se a pessoa tomar a vacina e logo depois ingerir álcool ?

Não. Não há problema de associação de álcool com a vacina.

2 - Quem toma a vacina pode tomar qualquer tipo de medicamento depois. E se tomar remédio controlado? Tem alguma restrição. E os remédios que contem ácido acetilsalicílico , tipo as e aspirina?

Não há nenhum problema de interação medicamentosa entre a vacina e outros medicamentos, qualquer que seja o medicamento.

3 - É preciso evitar fazer movimentos bruscos com o braço depois da vacinação?

Não deve haver nenhuma preocupação com movimentação brusca após a vacinação.

4 - Uma pessoa sabe que há oito anos ela tomou algumas vacinas, mas não se lembra se entre elas está a de febre amarela. Ela pode se vacinar novamente?

Na dúvida, a recomendação é para se vacinar.

5 - Que tipo de reação a vacina pode provocar? Dor de cabeça, mal estar, ou outras?

Pode haver reações no local da injeção, com febre e mal estar. Mas esses efeitos são raros.

6 - A partir de quantos meses um bebê pode se vacinar?

O bebê pode ser vacinado a partir dos seis meses de idade, quando a criança reside em uma área em que há morte de macacos com suspeita de febre amarela e na área em que há casos de febre amarela silvestre. Mas fora dessas situações, o calendário de vacinações indica a partir de nove meses de idade.

7 - A doença se chama febre amarela por que quem a contrai fica obrigatoriamente com icterícia?

A icterícia é uma coloração amarelada que aparece na pele e nos olhos, que é uma característica da doença. Mas temos que lembrar que existem formas muito leves da doença que não chegam a formar a icterícia. Já a febre sim, essa acontece em todas as situações .

8 - A vacina não pode ser tomada por pessoas com baixa imunidade. Isso quer dizer que quem esteve doente há pouco tempo não pode tomar?

A vacina não é recomendável para pessoas que estão com baixa imunidade. Para quem esteve doente, depende de avaliação médica.

9 - E como avaliar quem tem ou não baixa imunidade? O que acontece se uma pessoa com baixa imunidade tomar a vacina?

Imunidade é quando a pessoa cuja defesa do organismo está em baixa. Mas geralmente as pessoas têm diagnostico por parte dos médicos que a acompanham. São aquelas pessoas que estão em tratamento de câncer, por exemplo, que estão tomando drogas imunosupressoras como corticóides com dosagens elevadas, algumas situações de portadores de HIV em que estejam com imunosupressão.

10 - Gestante pode tomar a vacina?

Não, há contra indicação para a vacinação em gestante.

11 - Quem está tentando engravidar pode tomar a vacina?

Não sendo indicada a vacina para gestantes, quem está tentando engravidar já pode estar grávida e, assim, não pode tomar a vacina nesse período.

12 - Existe alguma relação entre o retorno da febre amarela com o aquecimento global?
O aumento de temperatura e uma maior freqüência de chuvas não podem acelerar o processo de reprodução do mosquito e provocar epizootias?

Nesse momento, não se pode culpar o aquecimento global pelo que está acontecendo no Brasil. Mas, quando há aumento de temperatura, aumenta consequentemente a quantidade de chuvas e isso tem influência no aumento da população dos mosquitos , que são os vetores da doença.

13 - Existe algum cuidado específico que uma pessoa imunizada há menos de 10 dias precisa tomar para não se contaminar?

Não. A vacina assegura 100%% de imunização, após o décimo dia de aplicação. E essa proteção dura 10 anos.

14 - Retornando de um município em estado de alerta, a pessoa deve ficar atenta a quais sintomas?

Se ela não está vacinada é preciso verificar se aparece febre, dor de cabeça, dor no corpo, dor abdominal. Nessa situação, procurar um serviço de saúde.

15 - Em quanto tempo sai o resultado de um exame para a identificação do vírus no sangue?

Esse exame é muito especifico e complexo, leva no mínimo 15 dias por conta da técnica que é usada para o isolamento do vírus. Mas tem um outro exame que é a sorologia, e esse é rápido, ficando pronto em 48 horas.

16 - A doença passa de pessoa para pessoa?

Não. Não existe transmissão de pessoa a pessoa. A doença é sempre transmitida pelo mosquito contaminado.

17 - Faltando dois meses para vencer a vacina, a pessoa deve tomá-la novamente? A imunização é 100% garantida no período de 10 anos ou a eficácia da vacina diminui na medida em que o tempo vai passando?

A vacina tem cobertura total de 10 anos. Mas não há problema em repetir a vacina caso faltem dois meses para vencer os 10 anos.

18 - Existe a necessidade de algum jejum (de comida ou mesmo bebida alcoólica) para tomar a vacina?

Não há qualquer recomendação nesse sentido.

19 - A vacina provoca reações adversas?

Sim, qualquer medicamento pode provocar reações adversas. A vacina pode provocar dor de cabeça, febre e mal estar em algumas pessoas.

20 - Se a pessoa perdeu o cartão de vacinação, ela pode ir ao posto se vacinar?

Sim.

21 - Os hospitais também estão vacinando?

Depende da organização dos serviços em cada município e em cada cidade. Em alguns hospitais há salas de vacinas. Mas geralmente as salas de vacinas estão nas unidades básicas de saúde da família.

22 - Há algum tipo de doença (hipertensão, diabetes, ou outra) que restringe a vacinação?

Nessas condições citadas não existem contra-indicações para a vacinação.

23 - Além do Aedes aegypti, outro mosquito transmite a febre amarela? Ele também se reproduz da mesma forma que o da dengue, ou seja, em água parada? Como podemos prevenir a reprodução do mosquito?

O aedes aegypti é o transmissor da febre amarela nas cidades. Mas a febre amarela que temos hoje no Brasil é a de transmissão silvestre, transmitidas pelos vetores silvestres chamados haemagogus e sabethes. Prevenir esse mosquito é impossível porque faz parte da natureza e são seres silvestres. A reprodução desses mosquitos está mais ligada ao ambiente silvestre.

24 - Qual é a chance, em porcentagem, de uma pessoa contaminada morrer?

A chance é muito elevada se a gente considerar as formas graves da doença, que pode chegar até 100%. Mas se a gente considerar que a febre amarela tem varias formas de apresentação clinica, esse índice se reduz, essa letalidade se reduz a uns 10%. Nos últimos 10 anos, a letalidade foi de 46%.

25 - O que devem fazer as pessoas que não podem se vacinar (grávidas, alergia a ovo etc)?

Procurar orientação médica. Em caso de não ter como evitar a permanência em áreas silvestres, a pessoa deve reforçar o uso de repelentes.

26 - Nesta época do ano, muitos brasilienses ainda estão viajando e ainda não retornaram para o trabalho e para o início do ano letivo em Brasília. Dado o período de imunização ser de dez dias após a vacinação, estas pessoas devem se vacinar nas cidades em que se encontram, antes de voltarem a Brasília? É fácil conseguir a vacina em outros estados?

Se estiverem em área silvestre consideradas de risco,devem tomar a vacina e as precauções necessárias para evitar a doença.

27 - Como fica a situação das famílias que estão viajando com bebês que têm entre seis meses e um ano? Nacionalmente, é recomendada a vacinação contra febre amarela a partir de um ano de idade. Mas, no DF, este limite foi antecipado para seis meses. Os bebês que tem entre seis meses e um ano e estão viajando poderão ser vacinados fora do DF?

Depende da região em que essa criança se encontra. Se ela está em região em que a indicação é a vacinação a partir de seis meses, como em Goiás e DF, então ela deve vacinar a partir dos seis meses de idade.

28 - Recém-nascidos também podem tomar a vacina de febre amarela?

Não, Apenas a partir dos seis meses de idade nas áreas de risco e onde há indicação de antecipar a idade vacinal.

29 - Pessoas que farão viagens internacionais e não tomaram vacina antecipadamente podem ser impedidas de viajar por não estar em dia com a vacina?

Sim. Se o país para o qual ele se dirige exige a vacinação. Nem todos exigem essa vacinação. A publicação é feita anualmente na pagina da OMS e também na Anvisa. Nem todos os países exigem, mas se você não está com a vacina em dia, você corre o risco de voltar sim.

30 - Como se caracteriza uma epidemia de febre amarela? Quantas pessoas com a doença precisam ser identificadas?

A epidemia não se restringe a uma área. Considera-se epidemia quando a doença atinge uma grande parte de municípios, de um estado, outras áreas territoriais e às vezes até de outros estados.

Fonte:
Assessoria de Comunicação Social/Divisão de Imprensa - Ministério da Saúde
Telefone: 61 3315-3507